Sobre o tratamento

O que é a eletroquimioterapia?

A eletroquimioterapia é um tratamento minimamente invasivo e seguro utilizado para tratar tumores de pele.

Combina a ação de um medicamento antitumoral com uma técnica que aumenta de forma significativa sua eficácia dentro do tumor. Seu objetivo é atacar as células tumorais mantendo intacto o tecido saudável ao redor, o que se traduz em melhores resultados estéticos e preservação da função do órgão tratado.

Médico com um eletrodo de eletroquimioterapia no centro cirúrgico, ao lado do eletroporador
Mecanismo da eletroquimioterapia em três etapas: o fármaco envolve a célula sem conseguir entrar, os pulsos elétricos abrem poros transitórios na membrana e o fármaco fica dentro da célula
  1. O fármaco envolve a célula, mas não atravessa sua membrana.
  2. Os pulsos elétricos abrem poros transitórios.
  3. O fármaco entra e fica dentro da célula.
O mecanismo

Como funciona?

A eletroquimioterapia consiste em administrar um medicamento antitumoral e aplicar pulsos elétricos sobre o tumor, utilizando equipamento desenvolvido especificamente para a eletroporação em oncologia e aprovado pela ANMAT (agência reguladora argentina).

Os pulsos de eletroporação geram uma permeabilização transitória das membranas celulares, permitindo que o medicamento entre no tumor com eficácia mais de 1.000 vezes maior, enquanto o tecido saudável ao redor permanece protegido.

Como a ação do medicamento se concentra no tumor, não costumam aparecer os efeitos adversos típicos da quimioterapia, como mal-estar, náuseas ou queda de cabelo.

O procedimento dura aproximadamente uma hora. Ao final, o paciente volta para casa para se recuperar e pode retomar suas atividades habituais nos primeiros dias.

Resultados clínicos comprovados

Benefícios da eletroquimioterapia

A técnica oferece benefícios significativos, especialmente em lesões complexas ou localizadas em áreas sensíveis.

  • Alta eficácia local

    Aumenta a concentração do fármaco no tumor, elevando a resposta sem aumentar os efeitos adversos sistêmicos.

  • Preserva o tecido saudável

    Atua apenas em células em divisão e permite conservar estrutura e função, com excelentes resultados estéticos.

  • Procedimento ambulatorial

    O tratamento dura menos de uma hora e permite voltar para casa no mesmo dia, com uma recuperação confortável e rápida.

  • Resultados em poucas semanas

    A lesão diminui de forma progressiva e a resposta começa a ficar evidente por volta de trinta dias após o tratamento.

  • Compatível com outras terapias

    Muito recomendável para reduzir uma lesão antes da cirurgia, quando outras terapias falharam ou para aumentar a eficácia de outros tratamentos.

  • Adequada para casos complexos

    A eletroquimioterapia pode oferecer bons resultados onde outras terapias deixariam sequelas funcionais.

  • Excelentes resultados estéticos

    Permite uma cicatrização adequada, preservando a pele saudável, com resultados estéticos superiores em áreas sensíveis.

  • Preserva a função e a qualidade de vida

    Reduz dor, sangramento e desconfortos associados à lesão, permitindo uma recuperação mais confortável e um dia a dia com menos limitações.

Três décadas de desenvolvimento

História da eletroquimioterapia

  1. O Dr. Lluis Mir, pesquisador do CNRS (França), desenvolve a técnica e consegue potencializar a eficácia de fármacos antitumorais.

  2. Após a publicação das diretrizes do projeto ESOPE, a eletroquimioterapia passa a ser utilizada de forma padronizada na Europa, o que permite sua rápida expansão na região.

  3. Os precursores da GEM iniciam na Argentina a pesquisa em eletroquimioterapia.

  4. A Argentina aprova o primeiro eletroporador de grau médico, marco do início formal da eletroquimioterapia em medicina humana na América Latina. A GEM é constituída para tornar essa terapia acessível aos pacientes.

Respaldo científico

Evidências

A eletroquimioterapia é aplicada segundo protocolos internacionais e é respaldada por diretrizes como ESOPE, NICE e as diretrizes europeias de dermato-oncologia (EDF/EADO/EORTC). Nossa equipe pesquisa a técnica desde 2009.

Diretrizes internacionais

Recomendações que seguimos em cada tratamento.

  • ESOPE 2018: Updated standard operating procedures for electrochemotherapy of cutaneous tumours and skin metastasesGehl J, Sersa G, Matthiessen LW, et al. Acta Oncologica, 57(7):874-882, 2018.Baixar
  • NICE IPG478: Electrochemotherapy for primary basal cell carcinoma and primary squamous cell carcinomaNational Institute for Health and Care Excellence, Reino Unido, 2014.Baixar
  • NICE IPG446: Electrochemotherapy for metastases in the skin from tumours of non-skin origin and melanomaNational Institute for Health and Care Excellence, Reino Unido, 2013.Baixar
  • European consensus-based interdisciplinary guideline for diagnosis and treatment of basal cell carcinoma: update 2023 (EDF/EADO/EORTC)Peris K, Fargnoli MC, Kaufmann R, et al. European Journal of Cancer, 192:113254, 2023.Baixar
  • European consensus-based interdisciplinary guideline for melanoma. Part 2: Treatment, update 2024 (EDF/EADO/EORTC)Garbe C, Amaral T, Peris K, et al. European Journal of Cancer, 215:115153, 2025.Baixar
  • Diagnosis and treatment of Kaposi's sarcoma: European consensus-based interdisciplinary guideline (EDF/EADO/EORTC)Lebbe C, Garbe C, Stratigos AJ, et al. European Journal of Cancer, 114:117-127, 2019.Baixar

Estudos internacionais

Consenso de especialistas europeus e resultados do registro InspECT, com milhares de lesões tratadas.

  • European e-Delphi process to define expert consensus on electrochemotherapy treatment indications, procedural aspects, and quality indicators in melanomaCampana LG, et al. British Journal of Surgery, 110(7), 2023.Baixar
  • Electrochemotherapy in the treatment of cutaneous malignancy: outcomes and subgroup analysis from the InspECT database for 2482 lesions in 987 patients (2008-2019)Clover AJP, de Terlizzi F, Bertino G, et al. European Journal of Cancer, 138:30-40, 2020.Baixar
  • Efficacy of electrochemotherapy in breast cancer patients of different receptor status: the INSPECT experienceDi Prata C, Mascherini M, MacKenzie Ross A, et al. Cancers, 15(12):3116, 2023.Baixar
  • Treatment of basal cell carcinoma with electrochemotherapy: insights from the InspECT registry (2008-2019)Bertino G, Muir T, Odili J, et al. Current Oncology, 29(8):5324-5337, 2022.Baixar
  • Combination of pembrolizumab with electrochemotherapy in cutaneous metastases from melanoma: a comparative retrospective study from the InspECT and Slovenian Cancer RegistryCampana LG, Peric B, Mascherini M, et al. Cancers, 13(17):4289, 2021.Baixar

Publicações da equipe GEM

Experiência clínica e técnica do nosso grupo.

  • Electroquimioterapia, a propósito de 3 casosMiranda J, Michinski S, Lertora R, Tellado M, Cespedes N, Cinat G, Maglietti F. Prensa Médica Argentina, 112(1):85-94, 2026.Baixar
  • Electroquimioterapia para el tratamiento de un carcinoma perianal concomitante a un carcinoma de cuello uterinoCuéllar S, Lay L, Silva M, Martínez N, Michinski S, Ostojich N, Maglietti F. Medicina (Buenos Aires), 86:1067-1071, 2026.Baixar
  • Non-melanoma skin cancer treated with electrochemotherapy: clinical outcomes and tolerabilityMaglietti FH, Lertora R, Martinez NS, Da Rosa Silva A, Damasceno Silva MR, Michinski SD. Cancer Research, 86(7 Suppl):305, 2026.Baixar
  • Electrode corrosion in electrochemotherapy can hinder treatment efficacyCampastri A, Cilio A, Ribeiro M, Martinez N, Michinski S, Maglietti F. Bioelectricity, 2025.Baixar
  • Electrode tip wear increases needle deflection and procedural complexity in electrochemotherapyCilio A, Campastri A, Ribeiro M, Martinez N, Michinski S, Maglietti F. Bioelectricity, 2025.Baixar
  • Electrochemotherapy for the treatment of head and neck squamous cell carcinomaMaglietti FH, Michinski SD, Evans LA, Lertora R. Cancer Research, 85(8 Suppl 1):4707, 2025.Baixar

Perguntas sobre a técnica

Que evidência científica respalda este tratamento?

A eletroquimioterapia se baseia em protocolos padronizados internacionalmente e conta com quase duas décadas de uso clínico na Europa. As diretrizes ESOPE 2018 são a referência global para sua aplicação em tumores cutâneos.

Para quais tipos de tumores a eletroquimioterapia é útil?

É especialmente eficaz no tratamento de tumores cutâneos e subcutâneos, incluindo lesões em cabeça e pescoço, couro cabeludo, pálpebras, asa do nariz, orelhas, boca, pescoço, membros, mãos, planta dos pés e região anogenital.

Pode ser utilizada em carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular, melanoma e queloides. Em outras patologias, a indicação é avaliada caso a caso.

Serve para tumores internos, como pâncreas ou pulmão?

Atualmente, a eletroquimioterapia é indicada principalmente para lesões cutâneas ou subcutâneas. Seu uso em tumores de órgãos internos ainda está em pesquisa e não faz parte da prática clínica padrão.

Posso combinar este tratamento com outros?

Sim. A eletroquimioterapia pode ser utilizada junto com cirurgia, radioterapia, imunoterapia, quimioterapia ou outros tratamentos sistêmicos. Seu médico definirá a melhor estratégia terapêutica para o seu caso.

Tem alguma dúvida?

Estamos disponíveis para avaliar o seu caso, capacitá-lo ou assessorar a sua instituição.